terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Lei da Paridade ou a Lei da Disparidade?

Durante o dia de ontem, li num jornal um artigo sobre a Lei da Paridade, a forma como devia ser cumprida e a forma como a maior parte dos partidos e/ou pessoas a consegue contornar.
Decidi deixar aqui um comentário e a minha opinião pessoal acerca disso.
Eu sou mulher.
Como qualquer outra mulher, não gosto de ser discriminada ou posta de parte devido a essa condição que a natureza me concedeu.
Não tenho aspirações políticas nem outras que remotamente se possam parecer mas, até tenho uma irmã a ocupar um cargo político, embora no poder local. Também posso acrescentar que nunca me aconteceu uma situação em que me tivesse sentido discriminada ou rebaixada por ser mulher. E, a bem dizer, todos os meus empregos até hoje têm sido num meio onde predominam os homens.
Tudo isto para dizer que, o que eu detesto mesmo é que me "alisem" o caminho porque eu sou mulher! E que, na minha opinião pessoal, na maior parte das vezes, as mulheres conseguem discriminar muito melhor do que os homens...
É aqui que vou começar a falar sobre a Lei da Paridade, aquela lei que permite, ou melhor, que impõe que as listas de candidatura a uma qualquer eleição política tenha 33,3% de elementos do sexo feminino.
Eu considero que essa lei, por si só, já é discriminatória, que é uma autêntica aberração e um "documento legal" onde é declarada a incapacidade das mulheres para chegarem à política por mérito próprio.
Haver uma lei para impôr a chegada das mulheres ao poder deixa-me realmente triste. É como se nos estivessem a dizer: "Vocês não foram feitas para este tipo de trabalhos mas, pronto, como parece mal não haver aqui mulheres, nós vamos deixar que entre (ou depois de...) cada dois de nós esteja uma de vocês..."
E ainda mais triste fico ao ver a quantidade de mulheres que se presta a esse tipo de manipulações e de joguinhos de corredor. Se pensarmos bem, a própria lei alerta para o facto de haver uma diferença entre homens e mulheres. Ser diferente não significa ser pior e essa diferença devia ser entendida de forma positiva, como uma mais valia e não o contrário. Além disso, eu sou de opinião que qualquer ser humano, seja homem ou mulher, deve ser avaliado por mérito próprio.
Temos na Europa exemplos de tudo. Há países onde a lei é semelhante a Portugal e onde, tal como em Portugal, os objectivos não são alcançados: temos 27% de mulheres no nosso parlamento, quando a lei diz que deviam ser 33,3%. Mas há também a Bélgica, onde a lei é igual a Portugal e a representação feminina no hemiciclo chega aos 37,3%. Em França, a lei é ainda mais apertada e prevê 50% de elementos para cada sexo. Isto faz com que as listas tenham uma alternância simples: um homem, uma mulher. Pelo menos não podem andar a fingir que estão a cumprir a lei e colocar as mulheres em 3º, 6º ou 9º lugar da lista, como acontece cá no nosso jardim à beira mar plantado.
E para finalizar, deixo uma pergunta: acham que há assim tantas mulheres a querer fazer carreira política?

1 comentário:

  1. Pois, eu até concordo com tudo isso mas, nestas situações, é sempre preso por ter cão e preso por não ter também...

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